A inveja é essa
coisa que você só descobre o que é quando se sente alvo certeiro dela. Porque, dificilmente,
você vai se admitir um invejoso de carteirinha. E você é, pode ter certeza,
ainda que em uma ou outra situação, você é.
O invejoso é um
estuprador simbólico: ele espalha, em foco, uma energia cruel que poda seus
alvos, se eles fraquejarem diante de seu ataque. E, para tanto, escolhe pessoas
geralmente sensíveis, que, por sentirem o tal incômodo da inveja, chegarão a
permitir que a inibição tome conta de seus corpos, de sua rotina, de suas
realizações.
E não adianta
qualquer contra-ataque: o desprezo, a denúncia, o combate, nada fará com que um
invejoso se admita como tal e pare de estuprar. O prazer dele é se realizar
através do fracasso perturbador e da frustração do outro. É assim que ele goza
perversamente e consegue transformar-se no próprio outro-realizado, que é o seu
ideal de persona.
No final das
contas, o invejoso é, ele sim, um grande reprimido, frustrado, que não
conseguiu – ou pensa que não conseguiu – encontrar por conta própria, em sua
essência, seus próprios méritos, seus talentos, seus sonhos brotados do mais
íntimo do seu coração. Embora seja capaz, como qualquer outra pessoa, é a sua
própria inveja que o impede de realizar o máximo da potência de sua realização
pessoal, e ele precisa, por isso, viver como um parasita, à sombra dos outros.
Este texto
pretende ter como público você, eu, que estamos sujeitos, a qualquer momento, a
contextos em que nos peguemos oferecendo gratuitamente energia negativa de
inveja. Sejamos autocríticos: conheçamo-nos. Saibamos do nosso real potencial
para a vida, para o mundo, e evitemos estuprar simbolicamente as realizações do
outro. Se não pudermos nos alegrar com a alegria do outro que fiquemos, ao
menos distantes, pacientes, refletindo sobre nossos limites de autoestima e
coletividade.
E se há algum
invejoso estuprando a sua rotina, tudo o que eu lhe desejo é força, não se
deixe abater, faça um esforço enérgico, mental, espiritual, de resistência,
para afastar qualquer poda, qualquer força que venha tentar parasitar à sua
sombra. Porque o universo conspira a favor – a favor do mais forte: e o mais
forte é o sonho genuíno, nascido do fundo do peito, gerado na tenacidade da
flor, colhido na doçura das mãos calejadas,
mas sábias de que o fruto de seu trabalho fará algum, senão todo
sentido. Coragem, meu amigo! Porque contra um sonho verdadeiro, nenhum invejoso
pode.
Gabriela
Maria.
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