sábado, 27 de dezembro de 2014

SOBRE A ANGÚSTIA E O ALÍVIO

Angústia é este sentimento que, parece, ninguém precisa explicar a alguém, porque todos um dia já sentiram, sentem ou sentirão, na vida – e quem não sentiu, se angustiou por necessidade de sentir. Mesmo assim, ousarei.
É esta ebulição na alma que não encontra sentido, senão numa busca compulsiva por um alívio que parece nunca vir, mas de repente, vem, pois que nenhuma angústia é eterna: toda angústia tem – ainda que breves – momentos de alívio profundo e orgástico, que são quase um encontro com a plenitude, se não o são.
E o que seria do alívio se não fosse a angústia? E o que seria da angústia se não fosse o alívio? Antíteses que se complementam num achado inesgotável de busca pelo gozo do intangível. Angustiador e aliviante é escrever sobre isto. Sim: uma mistura entre aliviador e angustiante, mas nem um nem outro, e todos os dois.
Porque nenhuma palavra bastaria e qualquer uma é suficiente. Verborragia pura para explicar o que todo o universo já conhece e quer deixar de conhecer, mas se encontra, felizmente, na linha tênue da impossibilidade.
Angústia e alívio nos movem. E nos travam. Movem-me a escrever este texto. Travam-me a finalizá-lo. Como concluir um texto sobre este assunto, meu Deus? Que meu coração me guie a uma trajetória libertadora de um ciclo que insiste em não se romper... é breve, é terno, é tênue e já vem vindo: o alívio transgressor, que se movimenta, acalmando, de dentro para fora as águas ferventes e angustiadas da minha alma... vem num sopro, como uma história infantil começada em “era uma vez” e terminada em “viveram felizes para sempre” – um sopro da fantasia do impossível.
É assim o alívio da angústia: o alívio do impossível, pois assim também é a angústia, vem do não sentido, da impossibilidade de algo que nunca se realizou nem se realizará, na terra de Peter Pan. E de historinhas e historinhas, vamos finalizando mais um texto, mais uma angústia e mais um alívio... num suspiro, num anseio... até que venha a próxima história de vidro: só muito cuidado, aos inícios, entremeios e fins de ciclos, para não se machucar com os cacos.

Gabriela Maria.


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