Angústia é este
sentimento que, parece, ninguém precisa explicar a alguém, porque todos um
dia já sentiram, sentem ou sentirão, na vida – e quem não sentiu, se angustiou por
necessidade de sentir. Mesmo assim, ousarei.
É esta ebulição
na alma que não encontra sentido, senão numa busca compulsiva por um alívio que
parece nunca vir, mas de repente, vem, pois que nenhuma angústia é eterna: toda
angústia tem – ainda que breves – momentos de alívio profundo e orgástico, que
são quase um encontro com a plenitude, se não o são.
E o que seria
do alívio se não fosse a angústia? E o que seria da angústia se não fosse o
alívio? Antíteses que se complementam num achado inesgotável de busca pelo gozo
do intangível. Angustiador e aliviante é escrever sobre isto. Sim: uma mistura
entre aliviador e angustiante, mas nem um nem outro, e todos os dois.
Porque nenhuma
palavra bastaria e qualquer uma é suficiente. Verborragia pura para explicar o
que todo o universo já conhece e quer deixar de conhecer, mas se encontra, felizmente,
na linha tênue da impossibilidade.
Angústia e alívio
nos movem. E nos travam. Movem-me a escrever este texto. Travam-me a
finalizá-lo. Como concluir um texto sobre este assunto, meu Deus? Que meu
coração me guie a uma trajetória libertadora de um ciclo que insiste em não se
romper... é breve, é terno, é tênue e já vem vindo: o alívio transgressor, que
se movimenta, acalmando, de dentro para fora as águas ferventes e angustiadas da
minha alma... vem num sopro, como uma história infantil começada em “era uma
vez” e terminada em “viveram felizes para sempre” – um sopro da fantasia do
impossível.
É assim o
alívio da angústia: o alívio do impossível, pois assim também é a angústia, vem
do não sentido, da impossibilidade de algo que nunca se realizou nem se
realizará, na terra de Peter Pan. E de historinhas e historinhas, vamos
finalizando mais um texto, mais uma angústia e mais um alívio... num suspiro,
num anseio... até que venha a próxima história de vidro: só muito cuidado, aos
inícios, entremeios e fins de ciclos, para não se machucar com os cacos.
Gabriela Maria.

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