segunda-feira, 22 de maio de 2017

NÓS E A INTERNET, HOJE

Em tempos pós modernos, o acesso a cultura ficou mais democrático, menos elitizado, pelo menos hoje, em que a internet é um item popular, alcança praticamente quase todas as classes.
Até as escolas já estão fazendo uso dela para educar seus alunos. Nos parece, embora de maneira equivocada, que as crianças estão se desenvolvendo mais rápido, porque já crescem tendo acesso e aprendendo com facilidade a tecnologia que nós, pioneiros, aprendemos com estranheza e certo suor.
Ela media as relações interpessoais e com as coisas, auxiliando inclusive na subjetivação do indivíduo contemporâneo, que torna-se praticamente um refém de suas ferramentas. Quem poderá imaginar um mundo sem internet depois de já ter nascido à sua sombra?
Para quase tudo precisamos dela. Ela está nos chamados hosts - aparelhos eletrônicos com acesso à rede - celulares, computadores, televisores e até geladeiras. Estamos o tempo todo conectados uns aos outros e mesmo assim tão distantes; legitimando a cada conexão, tempos de intensa solidão.
Através da internet é possível compartilhar em massa nossa vida inteira, embora escolhamos apenas os momentos convenientes - nas redes só se vê vencedores, não há lugar para perdedores narrarem sua história, como não há em nenhum outro meio de comunicação.
E a parte medíocre da história de cada um de nós fica abafada na ostra da solidão da vida que somos, porque assim escolhemos - é o preço que pagamos pela vida de aparências a que a internet nos tem convidado.
Então corremos para os downloads, vídeos e mídias gratuitas e pagas, que a própria internet nos proporciona, para taparmos um pouco do buraco que fica. Até quando?
Não que vivamos um tempo de "modos de ser" essencialmente descartáveis. Estamos, sim, reagindo à superestrutura, que nos impõe um ritmo de vida frenético, com estímulos fugazes o tempo todo. E somos também atores ativos nessa dialética, o que torna possível - e plausível - que modifiquemos tudo isso.
O vazio que a pós-modernidade tem deixado em nós, provoca, então, em seus extremos - uma vontade de revolucionar: voltar aos modos mais antigos de se relacionar,  com afetos mais próximos, sem o intermédio de tecnologia; e penso que um dia isso seja possível, já que o homem é tão capaz de se reinventar.
Assim como não acho que o livro virtual vá substituir o livro de papel, as relações virtuais também não vão substituir completamente nossas relações pele-a-pele. Por isso, volto à pergunta, até quando vamos suportar este ritmo em que vivemos hoje?
Só de fazermos esse questionamento, já semeamos aqui o futuro - essa pequena revolução plantada na nostalgia, que já começa a trazer de volta um pouco do passado - aquele em que o toque se fazia tão presente e importante, e que foi, aos poucos, substituído pela tecnologia, quando chegou toda promissora e cheia de boas intenções.
Assim vamos construindo uma cultura mais virtual que privada, porque assim melhor se suporta. E, ao que tudo indica, sob uma assustadora, rápida e cada vez mais vertiginosa ascensão da tecnologia e da ciência, embora fraqueje diante do vazio que provoca em sua infra-estrutura e no vislumbre de uma educação sólida, que desenvolva melhor os valores morais, sociais e pessoais.

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