O jorro oblíquio e dissimulado – o buraco negro da negação – da puta melancólica – ela goza ao contrário, em lágrimas, que aprendeu ela mesma a secar. E, quando chora, se esfrega na cara deles, que, sem condições de resistir a tamanha humanidade, acolhem o convite – que não o é - e choram nela também. Ela não quer que a sequem, nem quer secá-los, tampouco – mas se mistura a eles como num ofício que não aceita recusa. Ela se levanta arrogante e olha em direção ao horizonte de espelhos, estende a mão para aquele que abrirá a porta de liberdade que a fará, ao invés de chorar, acender um cigarro – e, finalmente, com ele, convidado, sorrir. O sorriso maiúsculo do tripúdio, que gargalha sobre a marginalidade, sobre a miserável que um dia ela foi. Sorte a dela reconhecer suas raízes – e saber o caminho de volta – da languidez humana e divinamente doída e deliciosa que ela um dia negou. Quer agora a reconciliação, olhar no espelho e encontrar nela ela mesma e, nos outros, partes moisaicas, necessárias e, finalmente, bem-vindas – de si.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
O PODER DA PALAVRA
A palavra é poderosa porque é ato. É início. Porque é limite. Porque é superação. É transbordamento. A palavra consagra. A palavra evita. A palavra quebra. A palavra repara. Ela fratura. E flui. Ela fissura. E cola. Ela é abismo e abandono – isso, a palavra é sexo. Sexo que se faz nos símbolos; sexo que se faz no corpo – que é palavra – dentro e fora – que é gozo – que é falta. Que é meio sem ser metade. Que é metade sem ser meio. Que é metade e meio sem ser. Palavra maiúscula – GRITA – e a minúscula agora quer sussurrar... complementa o suplementar. Palavra é vínculo com o outro e é vínculo com a solidão. Palavra é escolha. Palavra é destino. Palavra é morte. É desfecho. É transcendência. É entrelinha. Palavra é vezes menos. Palavra é sempre mais.
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