Quando chegar o dia, estarei esperando, com os braços abertos, a felicidade que passará por meu corpo como carícia de brisa e me envolverá em seus braços ternos. Nela não haverá mais ilusão, não haverá mais vozes que se omitem em sua materialidade, cujos sujeitos terão corpos e ninguém mais precisará viver das migalhas dessas vozes oportunistas que cravam suas coroas de espinhos em nossas cabeças por saberem que no auge de nossas solidões, vozes são o que de mais amistoso nós consentimos em nós. Chegará o dia em que esse consentimento se calará junto com elas, porque, Deus sabe, vozes não são presenças, mas elas podem trabalhar a nosso favor na tentativa de remar rumo a estas. As mesmas vozes que me ferem, curam-me, basta estar aberta a um longo e profundo diálogo.
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