Lutar contra a doença mental já não é mais novidade em sua vida: desde criança, já sofria com alguns sintomas do que só agora descobriu ser a esquizofrenia paranoide. Dar nome ao problema parece, a princípio, quase não fazer diferença, mas fez toda. Desde que recebeu esse rótulo, meio que se entregou à desilusão e parou de lutar. Há muito já sentia que os sintomas a devoravam de dentro para fora – aquela que cantava, escrevia, conversava muito e sorrindo agora se entregara ao silêncio e à seriedade e a dureza da vida. Era a que passeava dos extremos da sexualidade hiperbólica ao embotamento voluntário, por vergonha e medo de surtar mais uma vez. Agora dormia mais de doze horas por dia porque se relacionar com os elementos oníricos era mais fácil do que perceber, cotidianamente, que acordada, estava mais morta do que viva, ao se esconder atrás da casca de incompetência para qualquer coisa que pleiteasse viver para além dos muros da própria casa. Morria de medo de pedir qualquer coisa a alguém porque o não que ela esfregava em sua própria cara era o maior de todos. Não sabia como pedir socorro pois seu grito estava soterrado em vergonha e no escombro do que ela deveria ter sido e não foi. Havia ali dentro, guardado, bem no fundo, um tanto de talento e competência pra qualquer coisa que ela não sabia organizar e colocar em função de si mesma. Precisava se adubar e plantar de si uma flor, mas não sabia por onde começar a semear. Rezava e chorava para irrigar, mas faltava coragem de florescer. E era algo que, sabia, só podia fazer sozinha - ninguém empurra o desabrochar da semente, isso tem que vir de dentro pra fora... até que um dia pulsou de si - esperança! – um lindo girassol!
Nenhum comentário:
Postar um comentário