O conceito de
Representação Social engloba o conjunto de explicações, crenças e ideias
referentes a um dado acontecimento, pessoa ou objeto. Estas representações são consequências da interação social
de indivíduos que compartilham das mesmas compreensões sobre determinado tema.
O idoso no
Brasil é recente objeto de estudo e de foco na atitude política, já que a
população brasileira vem envelhecendo bastante nos últimos anos. Tal fato nos
põe a pensar na Representação Social que a velhice tem para nós, hoje, no
Brasil, bem como em outras sociedades, através dos tempos.
Na Idade Média,
a velhice era privilégio dos nobres, sacerdotes e reis – de quem tinha posses
para se manter vivo e sadio até idades longevas. Hoje, embora a
longevidade continue sendo privilégio de
classes abastadas, representa reforma, marginalização daquele que não possui
mais idade produtiva e, por isso, é colocado de lado para usufruir dos
benefícios que acumulou durante a juventude.
Houve épocas em
que se valorizava os ensinamentos que os idosos tinham a passar adiante: os
chamados anciãos eram considerados a parte mais nobre e sábia da população. Hoje,
infantiliza-se equivocadamente o velho, como se ele voltasse mentalmente à
infância por depender, por vezes, fisicamente, dos mais jovens, como também uma
criança faz.
Qual a
necessidade de, como já dito, marginalizar-se a velhice em detrimento da
juventude? Seria apenas uma consequência do capitalismo desvalorizar tal faixa
etária por ser menos produtiva, – ou fazer-nos acreditar ser ela menos
produtiva, se sabedoria e conhecimento também geram produção?
Parece que,
inclusive as tentativas de inclusão da velhice e reparo das atitudes preconceituosas
só fazem legitimá-las e institucionalizá-la. Qual seria uma atitude realmente
eficaz na luta para se valorizar a terceira idade? Assumir de verdade que ela
vislumbra sim, o contato mais próximo com a morte, porém, isso não impede que
seus atores continuem produzindo tanto quanto todos os outros, de maneiras
distintas – até a morte. É a ferida da pós-modernidade, que se deseja eterna.
Ajudar os
idosos a encontrarem seu lugar no espaço capitalista, sempre tão disposto a
descartar, mas neste caso, tão deficiente e denunciante: o velho é o bode
expiatório do capitalismo – aquele que o sistema não pode descartar, pois
determina antes seu próprio destino, denunciando a paradoxal fratura:
descarta-se antes e o sistema que lide com isso depois. É o problema privado
sendo resolvido na esfera pública – a dificuldade do luto fraturando o capital
que se nega, mas que, cedo ou tarde terá de lidar com ele. Se puder. Como
puder.
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