Em outra ocasião escrevi sobre mentiras que devemos deixar de dizer a nós mesmos. Este texto traz a ideia contrária: mentiras que precisamos continuar contando a nós mesmos, pelo menos até que se tornem verdades. Como assim?
Escrevo pra compartilhar esta estratégia que desenvolvi, quase sem perceber, para superar minhas limitações cotidianas: fingir para mim mesma que elas não existem, ou seja, se eu estou com preguiça, eu respiro fundo, finjo para mim mesma que não estou, passo por cima dela e cumpro a tarefa que tenho a cumprir. Se estou com medo de atender a um telefonema, finjo para mim mesma que posso fazer isso sem medo – e faço! Se estou prestes a ceder a um impulso compulsivo, finjo a mim mesma que posso agir com moderação, e ajo.
Na maioria das vezes essa estratégia tem funcionado. É como recorrer a uma personalidade paralela adaptada para como eu preciso ser para viver bem emocional e socialmente em contraste a como eu seria (e só eu sei que realmente eu seria) se esta personalidade paralela criada por mim mesma não existisse.
Mas, afinal, este “alter ego” adaptado também sou eu, (quem ousaria dizer que não?) embora eu sinta que preciso recorrer a algum esforço e força de vontade para ter acesso a ele. E, no fim das contas, o resultado é prazeroso e gratificante. É a sensação de domar um leão por vez para continuar viva. E o leão, adivinhem, sou eu mesma: a selvageria sucumbindo à doce domesticação. Só na metáfora do meu inconsciente? Sim, porque aqui, mesmo a céu aberto, eu posso muito mais.
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