domingo, 18 de janeiro de 2015

FALTA POESIA

Falta poesia nestes dias de seca
Dias estéreis, em que o amor é
Apenas uma longínqua esperança.
A política é suja e tediosa
O terrorismo escancara a fragilidade humana
Dos que nada têm a perder
Aos que têm tudo
Mas nem a morte é capaz de nos assemelhar
Nossas diferenças gritam
E são banalizadas
Desrespeitadas
Açoitadas
Nas inquisições pós-modernas
Da aparência exaltada
Do capital enfurecido
Do excesso celebrado
A vida é apenas um penoso trabalho
De resistência
E o suor
E as lágrimas
Já não movem
Nem comovem
Coisa ou gente alguma
E tudo o que falta
Aqui e acolá
É pura poesia

Gabriela Maria.


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