1 – ASSUMIR A
RESPONSABILIDADE
A premissa
número um para se encarar de frente as mazelas capitalistas é assumir a
responsabilidade sobre elas: estamos todos envolvidos e somos todos
responsáveis até o último fio de cabelo por cada corrupção, fetichismo,
alienação, etc. E só a partir do momento em que nos assumimos como reprodutores,
e não apenas vítimas deste sistema, é que podemos nos responsabilizar por
alguma conquista acerca de sua ruptura.
2 – QUESTIONAR
INCESSANTEMENTE
Para romper com
a reprodução dessas mazelas sociais, econômicas, pessoais e políticas, é
preciso estar atentos: questionar, o tempo todo, nossos pré-conceitos, a lógica
das nossas relações interpessoais, nossas atitudes impensadas – e as pensadas
também! Tudo isso para não cairmos nas armadilhas pós-modernas de sermos
sugados novamente exatamente pelo sistema contra o qual nos rebelamos. E é um
risco que corremos, o tempo todo. Se você foi sugado, meu amigo, rebele-se
novamente, comece de novo. Não deixe que a desilusão te tome: é um trabalho
árduo e, muitas vezes, exaustivo. Mas vale a pena por vários arco-íris de
esperança que vão surgir no horizonte, nos dizendo que nossa luta não é vã.
3 – RESISTIR
Dizer não de
alguma maneira, simples ou complexa, não importa. O que importa é berrar:
“NÃO!” Não ao ritmo acelerado de sua vida, não à alienação do seu trabalho, não
à exploração da sua mão-de-obra, não à superficialidade das relações
humanas, não ao consumismo, não ao patriarcalismo, não às pequenas atitudes de
corrupção cotidianas, não à politicagem, não ao mundo das aparências, não aos
excessos. São tantos “nãos”, basta exercitar um deles, todos os dias, como um
compromisso consigo mesmo e com o mundo.
4 – CRIAR ALGO
NOVO
Não precisa ser
algo grandioso, para ter algum efeito. Precisa, sim, ser algo que quebre a
lógica capitalista da apreensão alienante e alienada. Faça algo que te dê
prazer: escreva, cultive um jardim, leia um livro no parque, converse com um
estranho, pinte um quadro, escreva uma carta à mão, borde para presentear um
amigo, crie uma ONG ou se voluntarie em alguma que te agrade, participe de protestos
que você considere coerentes... Não importa a atitude que você crie, faça disso
um hábito e o alimente, cultive com carinho e amor. Porque este hábito é um fim
em si mesmo: aqui você já está vivendo à margem das fronteiras capitalistas.
Aqui você já rompeu com o sistema, já o “fissurou”. Não importa se ele vai
cair por isso, importa que você está vivendo o seu pedacinho de nuvem neste
imenso latifúndio, se assim podemos dizer. Delicie-se.
5 – PASSAR ADIANTE
Eduque: numa
simples conversa, num despretensioso encontro, na sua arte, no seu artigo, na
sua ONG, no seu protesto, eduque. Apenas sendo o que você é, depois de ter
assumido a responsabilidade, questionar-se incessantemente, resistir e criar
novidades, tudo o que você saberá fazer é reverberar esta ideia, assim como eu
a estou passando adiante aqui. E boa sorte à rebeldia inteligente, à atitude
poética, ao combate violentamente pacífico. Que vençamos no cotidiano da
devotada ruptura.
Gabriela Maria.
(Texto
inspirado nos livros "Ame e Dê Vexame", de Roberto Freire e "Fissurar
o Capitalismo", de John Holloway.)

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