segunda-feira, 29 de outubro de 2018

GENTILMENTE

Eles estão em toda parte
Estão próximos, perto demais
É mais prudente a discrição
A quem desqualifica a oposição, oração
A quem impõe armas, flores
De mãos dadas, cruzaremos todos os limites
da boa política para vizinhos
E através dos oceanos, ternos bilhetes engarrafados.
A este mundo de falsas notícias, a verdade é que
nós também estamos em toda parte
É claro que o amor, entre todos, é o mais raro
Mas também, e portanto, o mais valioso
Vamos nos reproduzir como carrapatos(as)
Porque a carne mais cara aqui é a que luta
E, a não ser que finalmente renunciem ao sangue,
ao ódio e à violência,
o nosso preço eles não podem pagar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Crescer é árduo. É preciso tomar as rédeas da própria vida, aprender a dirigi-la, pegar o embalo e deixar que o itinerário nos cure e nos liberte de nossas amarras. Descobrir que podemos ser amados, a despeito de nossas imperfeições, contradições e escolhas que se distanciam do que foi esperado por outros sobre nós. Superar o medo de fracassar se arriscando e realizando. Pedir ajuda, se necessário, para que soprem para longe a nuvem escura a esconder nosso sol, mas estabelecer limites antes que chegue o sofrimento. Se movimentar e acreditar no próprio brilho sem precisar que nos empurrem ou nos invadam. Acreditar que somos tudo aquilo o que conseguimos ser agora, e nos esforçar para sermos hoje nosso melhor, pois nenhum mérito vem de graça. Travar a batalha do que é infinito e possível e conquistar toda a nossa potência. (Re)começar. Continuar. Finalizar. Com disposição de perceber e aprender o que a vida quer nos ensinar, seja através da alegria ou do sofrimento – tudo o que vivemos nos revela uma lição. Estar aberto, mas saber a hora de se fechar – moderar. Sair da inércia da zona de conforto e agir com entusiasmo e competência, onde quer que se esteja, para onde quer que se vá. Pois só subimos uma escada degrau a degrau. Escrever o texto e descobrir que o insight só vem colocando em prática tudo o que nosso coração já sabe – assim, é dada a largada! Vamos?

terça-feira, 2 de outubro de 2018

BRASIL, MOSTRA SUA CARA

Parece que há um exagero ideológico no exercício da política brasileira, tanto por parte da direita quanto da esquerda. Estes temem a oposição por rotulá-la fascista e autoritária. Aqueles temem a reprodução de um comunismo falido. Querem, todos, repelir o que consideram um retrocesso para o Brasil. Mas ao invés de dialogar empaticamente, ambas as partes destilam veneno. Tirando o ódio, o pessimismo e a projeção do medo nos discursos, que só servem a denegrir adversários, fica mais nítido que o povo está dividido, aspirando a melhorias que agradem apenas a seus próprios interesses, sem pensar macro. Nisto estamos todos juntos – cada um olhando e reivindicando suas necessidades de maneira egoísta. É justamente o que nossos candidatos representam: a incapacidade de ver, agir politicamente fora da própria bolha e alcançar também a diferença. Ou seja, só reproduzem e legitimam a polarização ideológica que tem dividido o povo. E, se nós, este mesmo povo, não promovermos uma revolução pessoal – sairmos da bolha – antes de chegarmos às urnas, nossas escolhas estão realmente fadadas à insatisfação coletiva. Basta se perguntar: que retrocesso e progresso são esses, a que, respectivamente, tememos e aspiramos, de forma que possam contemplar a mim e ao outro, que, ironicamente, não é eu? Ou será que estamos no caminho torto para uma mesma revolução, desta vez macro - desunidos venceremos?

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

LINHA DO TEMPO

É tempo de se lamber as feridas e fazê-las secar, limpas, até que delas surjam cicatrizes, como as antigas, contando a história de quem é você, prometendo fertilidade e frutos doces. Tudo passa. Para que comece uma estação é preciso, primeiro, elaborar e finalizar a anterior, se preparar com roupas e cultura adequadas àquela e, então, usufruir intensamente de seus benefícios, se desdobrando sobre os contraventos. Você é a pessoa mais adequada e capaz para cuidar de si e do seu próprio envelhecer, de uma estação a outra, conquistando, de maneira terna e grata, os anos.Para chegar ao ouro no final do arco-íris é preciso, antes, ter paciência a desejar a chuva e a se deslumbrar com as cores . E, talvez, esse tesouro nem mesmo exista, se você insiste em não ver valor nos processos. Curtir bastante os itinerários, sangrando e/ou gozando, é a melhor pedida para qualquer estação.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

POR BEM

A ingratidão só faz mal ao orgulho de quem por gratidão anseia. É um sentimento de quem ignora o bem que lhe foi destinado, embora usufrua dele. É importante a consciência de que se fez bem a outra pessoa, sem esperar reconhecimento – considerar esse bem, por si só, retroalimentado. Agir esperando gratidão é tão mesquinho quanto não ser grato. E, na mesma proporção, gratidão é um sentimento que só faz bem a quem o remete, pois lhe atrai mais coisas boas. Ao seu destinatário, só serve a envaidecer, especialmente se ela for desejada. Então é mesmo como dizem: fazer o bem sem olhar a quem e agradecê-lo sem se importar de onde vem.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

LÍNGUA

Ela está na melhor fase de sua vida. Passou anos sendo uma pessoa extremamente triste, e, mesmo assim, vivia fazendo piadas da vida – máscaras tornavam as coisas menos difíceis. Quanto mais bonita se sentia, mais se agredia, se doando às suas alteridades com a violência do sim incondicional. Hoje preza pela coerência proporcional – fala menos, mas também se esconde menos. E, sobretudo, suporta a própria solidão. O hábito de estar consigo mesma é um sossego que ela conquistou e a ele não pretende renunciar facilmente, por qualquer outra companhia. E, embora seja grata por seu presente, passa o tempo brincando de futuro - sempre esperando que o melhor está por vir – ansiedade nela é mais que um sintoma, é o consolo que restou a alguém que envelheceu rápido demais; é a fé de que há mais vida depois da queda e ainda mais vida após a ascensão. E, enquanto a morte não vem – seja ela descanso ou limite definitivo – a moça vai se apropriando da própria existência de um jeito terno e um tanto selvagem, como um animal que mata a própria sede lambendo gelo. É assim, como um bloco de gelo derretendo, que a vida se entrega aos poucos à ferramenta humana e constante de alguém que nasceu para, sempre e finalmente, (se) transformar.

LIMITE

O tempo nos ensina a dizer não. Que nos diga minha cachorrinha, Futica - depois dos dez aninhos começou a rosnar e morder pra se defender das coisas das quais ela não gosta. É mais que instinto, porque ela não era assim quando mais nova - é maturidade, uma postura firme que só se desenvolve em quem aprende a circunscrever seu próprio território para evitar abusos. É isso aí, só uma coisa não muda - o fato de que a Futica continua, desde sempre, dando aulas de (sobre)vivência.