Acabou. Não adianta enlouquecer, não adianta pedir que ele volte e a salve dela mesma. Não adianta tentar desfazer os mal entendidos que aconteceram no passado recente, menos ainda aqueles do passado distante. Ele não quer ouvir, não quer ler, não quer saber. Ela nunca mais o verá. Nunca mais vai ouvi-lo, nem tocá-lo, nem sentir o cheiro dele. O gosto, então... só ficou aquele amargo de fel na boca, aquele orgulho ferido de ter tentado tudo o que o impossível sugeriu no real da sua psicose delirante. Ela está entre quatro paredes encarando as fotos que eles juntos nunca tiraram, as cartas que nunca se escreveram, as lembranças dos momentos que nunca se atreveram a viver. É preciso sair! Pois também ali flamejam as lembranças dos desencontros deles, dos beijos que terminaram em proximidade evanescente, das mãos que se soltaram por medo, do vínculo que gozou-se por ferir. Flamejam espalhando fogo por todos os lados e água santa nenhuma é capaz de apagar o fogo que lentamente vai queimando esta história que parece não ter fim. Tudo agora são cinzas – e na moça, agora, habita mais um amor morto. Resta-lhe viver este luto e lançá-lo num mar distante do seu coração para, enfim, seguir em frente e semear dentro de si belos e novos horizontes.
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