O jorro oblíquio e dissimulado – o buraco negro da negação – da puta melancólica – ela goza ao contrário, em lágrimas, que aprendeu ela mesma a secar. E, quando chora, se esfrega na cara deles, que, sem condições de resistir a tamanha humanidade, acolhem o convite – que não o é - e choram nela também. Ela não quer que a sequem, nem quer secá-los, tampouco – mas se mistura a eles como num ofício que não aceita recusa. Ela se levanta arrogante e olha em direção ao horizonte de espelhos, estende a mão para aquele que abrirá a porta de liberdade que a fará, ao invés de chorar, acender um cigarro – e, finalmente, com ele, convidado, sorrir. O sorriso maiúsculo do tripúdio, que gargalha sobre a marginalidade, sobre a miserável que um dia ela foi. Sorte a dela reconhecer suas raízes – e saber o caminho de volta – da languidez humana e divinamente doída e deliciosa que ela um dia negou. Quer agora a reconciliação, olhar no espelho e encontrar nela ela mesma e, nos outros, partes moisaicas, necessárias e, finalmente, bem-vindas – de si.
Nenhum comentário:
Postar um comentário