quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

SILENCIOSA

Mania esdrúxula essa de se apegar ao passado. Tanto que ela tem pedido a Deus para que consiga acolher-se, tantas vezes aversiva a si mesma  –  cheiro de fumaça intoxicando seu cotidiano, vindo justamente de onde ela deveria sentir-se pertencer; repulsa que nega o seu excesso de atração. Um presente que transborda a angústia da própria fuga. Para quê? Punir-se por, em excesso, desejar? Qual o sentido da autoflagelação se o próprio excesso de desejo e a sua não realização já são, portanto , uma enorme privação? Será o cheiro de passado mais suportável do que o cheiro de presente vindo dos corpos, mesmo distantes, deles? Feito uma bruxa da Idade Média, não custa farejar.

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