Mania esdrúxula essa de se apegar ao passado. Tanto que ela
tem pedido a Deus para que consiga acolher-se, tantas vezes aversiva a si mesma
– cheiro de fumaça intoxicando seu cotidiano,
vindo justamente de onde ela deveria sentir-se pertencer; repulsa que nega o seu
excesso de atração. Um presente que transborda a angústia da própria
fuga. Para quê? Punir-se por, em excesso, desejar? Qual o sentido da
autoflagelação se o próprio excesso de desejo e a sua não realização já são,
portanto , uma enorme privação? Será o cheiro de passado mais suportável do que
o cheiro de presente vindo dos corpos, mesmo distantes, deles? Feito uma bruxa
da Idade Média, não custa farejar.
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