Mania esdrúxula essa de se apegar ao passado. Tanto que ela
tem pedido a Deus para que consiga acolher-se, tantas vezes aversiva a si mesma
– cheiro de fumaça intoxicando seu cotidiano,
vindo justamente de onde ela deveria sentir-se pertencer; repulsa que nega o seu
excesso de atração. Um presente que transborda a angústia da própria
fuga. Para quê? Punir-se por, em excesso, desejar? Qual o sentido da
autoflagelação se o próprio excesso de desejo e a sua não realização já são,
portanto , uma enorme privação? Será o cheiro de passado mais suportável do que
o cheiro de presente vindo dos corpos, mesmo distantes, deles? Feito uma bruxa
da Idade Média, não custa farejar.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
SOBRE ESTAR PRESENTE
É com imensa esperança que nos convido, de agora em diante,
ao propósito de estar plenamente presente em todas as nossas relações
cotidianas – a saber: afazeres domésticos, trabalho, estudos, higiene pessoal, dieta,
lazer, sono, amigos e amores, hobbies.
Estar presente quer dizer se entregar e se dedicar, com
todos os sentidos e tudo mais que se tenha, de maneira viva, intensa e sóbria,
dando o melhor de si, com gratidão, a cada momento que nos for concedido, com
todas essas relações.
Que cada ato nosso, e dos outros, desmonte nossa arrogância,
e nos force a buscar simplicidade, tolerância e humildade, das pequenas às
grandes coisas. Que não façamos distinção de hierarquia ou de mérito entre
importâncias pérfidas e injustas, mas saibamos reconhecê-las e mimá-las –
fazer-nos presente enquanto ainda for tempo; que não levemos remorso ao luto.
Assinar:
Comentários (Atom)