sexta-feira, 12 de agosto de 2016

DING-DONG

O moleque olhou dentro dos olhos da menina gorda e, com um sorriso debochado, encheu bem as bochechas de ar, ainda encarando-a de perto. Depois virou as costas e saiu correndo como infante que acabasse, levianamente, de tocar uma campainha e fugir gargalhando. A menina, hoje já moça feita, está ainda de porta aberta, zangada e tristonha, escutando a campainha de alguém que tocou sua porta, em falso alarme, mas, em verdade, nunca quisera entrar. Dona, veja se perdoe essa ausência e entenda que aquele menino só encontrou em você uma desculpa oportuna para se aventurar. Tente fechar essa porta e, como ele, perceber que aquela aventura opressora – e as que vieram depois - não merecem ocupar lugar no seu tempo e espaço – e que, com certeza, o menino muito facilmente já se esqueceu. Quem abre a porta a essa ausência, permite que a casa inche de dor. Vá soltar pipa no vento, Dona, silencie essa campainha, que seu tempo de ser feliz já chegou.

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