quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

(IN)DIRETA

No coração deserto é noite, o clima é frio e o ar rarefeito. Inspiro e expiro devagar. O tempo é generoso e eu não tenho nenhuma pressa. Qualquer fenômeno no horizonte de aurora é uma terna surpresa - um presente que recebo grata. A solidão é um vício que alimento sonhando profundamente a próxima vigília. Quem saberá das companhias que contemplam comigo, também solitárias adictas, o mesmo imenso céu? O peito dói num parto ao contrário: se preenche de todas elas, e aguarda, paciente, uma quem-sabe doce chegada. Venha pra esta festa, amor, que está sendo, há tanto tempo, alegremente, preparada justamente para você. Qualquer hora a gente se esbarra e nossos oásis se reconhecem. Hein?